domingo, 7 de março de 2010

Palácio, galeria, pub e o Olho de Londres

Era domingo, dia oficial de dormir até tarde, mas saltei da cama cedo para encontrar meu amigo Sidney que estava estudando inglês em Cambridge e veio passar o dia em Londres. Nos encontramos em Green Park e de lá seguimos para o Palácio de Buckingham na esperança de assistir a famosa troca da guarda da Rainha. Eu já tinha tentado ver outras duas vezes, mas eles sempre cancelavam por causa do frio ou da chuva. Para nossa alegria, o tempo colaborou e a troca aconteceu. Mudamos umas três vezes de lugar no meio da multidão, mas eu, do alto dos meus 1,60 de altura, não consegui ver muita coisa. rs

De lá seguimos andando até a Trafalgar Square, fizemos um lanche rápido e passeamos pela National Gallery. Enquanto observávamos as pinturas falamos principalmente sobre o teatro e a importância do estudo das obras de arte no nosso trabalho, especialmente para a montagem de Medeia. Também conversamos sobre a necessidade de seguir estudando e praticando inglês na volta ao Brasil. Na entrada de uma das galerias criamos oficialmente um grupo de conversação que terá encontros semanais a partir de abril, em São Paulo. (Sid, tô esperando você escrever a Ata da reunião. rs)

Nosso destino seguinte foi a London Eye ou o Olho de Londres, que é aquela roda gigante enorme construída bem pertinho do Big Ben. Eu queria fazer o passeio antes de voltar ao Brasil e o Sidney também, então a hora havia chegado. O passeio começou numa sala onde foi exibido um filme em 3D contando um pouco da história da atração. Depois entramos numa das cápsulas da roda gigante que subiu, subiu, subiu... e depois desceu, desceu, desceu... É uma volta completa e a roda vai girando tão suavemente que você mal perecebe a movimentação. Tiramos várias fotos e demos muitas risadas. Primeiro a bateria da minha câmera acabou. Depois a gente não conseguia descobrir o botão certo que devia ser acionado para tirar o flash da câmera nova do Sidney.

Pegamos o finalzinho do dia e o começo da noite, então conseguimos visualizar Londres e o rio Tamisa iluminados pelos últimos raios de sol e depois pelas luzes da cidade. Uma vista realmente incrível da cidade. O Sid precisava pegar o trem das 10 da noite, mas ainda deu tempo de andar por South Bank, passar em frente ao National Theater e jantar num pub em London Bridge. Perfect day!

Conheço o Sidney desde a época do básico no Teatro Escola Macunaíma e ficamos amigos de cara. Ao longo de seis anos, já compartilhamos muitas cenas, alegrias, aplausos e lágrimas. Além disso, ele está cuidando dos meus livros nesses meses que estou em Londres. Valeu amigo querido!

Buckingham Palace

Multidão esperando a troca da guarda

Tamisa e Big Ben vistos da London Eye

terça-feira, 2 de março de 2010

Gooooollllll!!!!! Do Brasil!!!

O jogo era amistoso, mas era da seleção brasileira e em Londres. Sensacional! Nosso lugares eram na primeira fila, muito perto do campo. Torcida animada, estádio lindo e dois gols pra comemorar. Valeu muito a pena! Brasil 2 x 0 Irlanda. E que venha a Copa da Mundo da África do Sul!

Eu e a bandeira mais linda do mundo!

Comemorando o primeiro gol!

Fernanda, eu, torcedor irlandês e Carol

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mais um ponto laranja na multidão


Enquanto eu olhava para as mulheres do quadro de Cézanne (Bathers - Les grandes baigneuses) na National Gallery, nessa tarde fria e chuvosa de domingo, lembrei do post que pensei em escrever logo que cheguei em Londres e me deparei com centenas de "red hair" pelas ruas, trens, metrô, pubs, lojas, etc.

Sexta-feira passada, por exemplo, eu encontrei cinco ruivos apenas no caminho da escola. Nos primeiros dias por aqui eu me senti  literalmente "apenas mais um ponto laranja na multidão". É engraçado porque o meu cabelo ruivo sempre foi a principal referência para as pessoas me identificarem na escola, faculdade, trabalho.

Na escola eu ouvia piadinhas do tipo "tomou muita água e enferrujou" e era chamada de"foguinho","ferrugem", "vermelhinha" e até de "feriadinho" - porque no calendário as datas de feriado são destacadas em vermelho. Eu detestava ser ruiva e sardenta e na adolescência vivia escurecendo o cabelo, passando tonalizante, fazendo luzes, detonava com a cor e com os fios até perceber que o dourado que eu tanto tentava deixar cinza e as sardas que eu tanto passava sardalina e lavava o rosto com água de arroz para clarear, eram a minha marca e que o diferente também poderia ser bonito.

Hoje eu adoro a cor do meu cabelo e convivo em paz com minhas sardas que se bem pretegidas do sol tem lá o seu charme e me deixam com cara de 'sapeca' mesmo depois dos 30 anos. rs 




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

The last time!


Hoje é dia 25 de fevereiro e embarco para o Brasil no próximo dia 11 de março. Portanto, restam apenas duas semanas do meu maravilhoso intercâmbio. Estou bastante animada com a volta, com muita saudade da família, amigos, teatro/trabalho, comida, calor, SOL... Acho que vou fugir pra praia no segundo final de semana que estiver por Sampa porque no primeiro tenho o casamento da minha querida amiga Marina Sarruf.

Bom, mas essa animação toda também tem algumas pitadas de melancolia porque eu adoro Londres e quem conhece a cidade sabe bem do que estou falando. A Terra das Brumas de fato tem uma certa magia que faz a gente ter vontade de ficar mais tempo aqui. Fiz várias coisas bacanas nas últimas semanas e quero muito compartilhar essas histórias e fotos, mas agora preciso aproveitar esses últimos dias e voltar aos museus e lugares que mais gosto. Depois eu escrevo com calma. Sábado vou pra Liverpool fazer o Tour dos Beatles (banda que eu simplesmente AMO) e semana que vem vou pra Alemanha, mais precisamente Berlim. Portanto, preciso preparar o roteiro e a mochila. Oba!


Passeio de barco pelo Tamisa

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uau!

A pequena Ana Rita não parava de repetir "Uau, Uau, Uau!" enquanto olhava as luzes coloridas que piscavam do lado de fora de um restaurante, na Brick Line Street. Todas as pessoas que passaram pela rua naquele momento pararam para admirar a cena. Existe coisa mais maravilhosa que enxergar o mundo por meio dos olhos curiosos de uma criança? Eu duvido.

Como nasceu numa família que coleciona "Anas", ela é carinhosamente chamade de Anita e é linda de viver, com cabelos loiros de anjo e olhos azuis que refletem toda a sua fome de vida. A Anita é filha do Snappy e da Ana Candida - que é sobrinha da Ana Maria, uma das minhas grandes amigas desde a época do colégio lá em Três de Maio (Ops, faz tempo, né? rs).
 
No ano passado eu tive o privilégio de conhecer essa família linda e amorosa que mora aqui Londres e até fiz algumas fotos do batizado da princesinha que nasceu na Terra das Brumas e recentemente foi eleita "Bebê do Ano" com votação do público pelo site da Nippaz (http://www.nippazwithattitude.com/nippaoftheyear.html). Será que essa menina tem futuro como modelo? Quem viver verá.

Por que esses olhos tão lindos?


Anas e eu

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Êita mundo pequeno


Cena 1: Eu entro no metrô na estação de Waterloo numa tarde de quinta-feira e vejo um rosto familiar na multidão. Eu olho, ele olha e pergunta: Geo? É você mesma? Era meu amigo Guilherme, que estudou comigo na faculdade em São Leopoldo e eu não via desde os tempos do Radar na TVE, ou seja, mais de sete anos.


Cena 2: Eu estou parada em frente a uma vitrine de loja na Oxford Street quando ouço meu nome com um sotaque estanho. Era e Deren, uma belga que eu conheci quando estava na fila do registro na Polícia de Londres e pensei que nunca mais veria na vida.

Cena 3: Eu chego na estação de Piccadilly Circus e encontro com o Sérgio, um colombiano que estudou comigo em setembro, na minha primeira semana de aula. Depois ele mudou de escola, de trabalho e de endereço. Segundo ele, era a primeira vez em meses que passava por ali.


Cena 4: Eu saio do metrô na estação de Green Park e dou de cara com o Pedro, meu primeiro amigo brasileiro em Londres. Se tivesse marcado, com certeza não encontraria com ele naquela exata hora, naquele exato local.

Cena 5: Eu estou passeando pelos jardins do Palácio de Versalhes, em Paris, me sentindo muito chique e encantada com tudo o que vejo, quando alguém toca no meu ombro: eu viro e o moço fala: "Eu te conheço!" Aí eu pergunto: "De onde?" Ele responde: "Eu moro em São Paulo, trabalho perto da Paulista e tenho certeza que te conheço". Eu olho atentamente para ele e para a moça que o acompanha e não faço a menor idéia de já ter visto aqueles rostos. Eu falo: Bom, deve ser de lá então. Feliz Ano Novo, quem sabe nos vemos em São Paulo! E sigo meu rumo. Meus amigos dão risada da minha cara. Mas o que mais eu poderia falar?

Cena 6: Eu estou admirando uma pintura italiana no Louvre quando ouço meu nome com sotaque estranho de novo. Era um dos meus colegas coreanos da escola de inglês. Eu olho para ele surpresa e feliz e tento dar um abraço e desejar Feliz no Novo. Ele se esquiva com a agilidade de um ninja. Ops! Esqueci que eles não podem abraçar, tocar, muito menos beijar o rosto de pessoas que não sejam da família.

Cena 7: Eu estou saindo do metrô em Piccadilly e dou de cara com o Paulo, meu colega de trabalho no bar aqui em Londres, que por uma dessas estranhas coincidências da vida, trabalhou na Band, em Porto Alegre, com o "Roque", um dos meus melhores amigos na faculdade. Nós dois estávamos com pressa, nem deu tempo de perguntar o que ele fazia por ali naquela hora.

Aguarde as cenas e encontros dos próximos capítulos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A fuga do guarda-chuva

Meu guarda-chuva fugiu de Londres. Em setembro do ano passado ele partiu comigo para uma temporada de seis meses na terra das brumas. Ele estava bem, na verdade muito feliz por ter visto neve pela primeira vez e conhecido tantas pessoas e lugares diferentes. Ele jurava que não se importava com os banhos gelados de chuva e garoa.

Em Paris, ele não se intimidou com a neve, brincou com a chuva e encarou com bravura 7 graus negativos. Mas, acho que a neve de Amsterdã e o dia que ele quase foi atropelado por uma bicicleta deixaram o coitado meio estressado. Deve ter sido por isso que ele se recusou a sair do Hostel em Bruxelas.

Voltamos juntos para Londres e quando uma amiga arrumou a mala para voltar ao Brasil, ele foi colocado num dos bolsos externos a caminho do aeroporto. Esperto que é, o danado ficou lá quietinho, não deu um pio na alfândega e só apareceu quando percebeu o calor e o sol do verão tupiniquim. Apesar de ter ficado aqui sozinha, eu entendo essa inesperada volta antecipada. É fevereiro, o verão tá bombando e o Carnaval tá chegando.

Bom, ele é verde musgo, tem um belo corpo de alumínio, é leve e resistente. Foi visto pela última vez na região da Lapa, em São Paulo. Se você cruzar com ele por aí, por favor, avisa o safado que eu tô voltando em março.

 
Guarda-chuvas, de Renoir 

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um dia em Bruxelas


A volta de Amsterdã foi sossegada. Dessa vez passamos direto pela primeira classe e nos acomodamos na nossa já velha conhecida classe econômica. Bem na nossa frente tinha um casal muito engraçado e com um lindo filhote canino que participou de todos os lanches da dupla. O cara comeu uns três sanduíches enormes de baguete e a mulher umas três tortinhas.

Chegamos em Bruxelas lá pelas 2h30 da tarde. Não tínhamos hostel reservado, mas janeiro é baixa temporada, então já sabíamos que não teríamos problemas para conseguir lugar para dormir uma noite. Andamos um pouco pela estação até conseguirmos informação de onde conseguir informações turísticas. É mole? O posto ficava há uma duas quadras dali. Pelo menos saímos de lá com um mapa da cidade e a indicação de um hostel bem perto dali. Andamos mais algumas quadras e encontramos o Manneken Piss, a pequena (mas pequena mesmo) e famosa estátua de menino fazendo xixi, que provavelmente é o monumento mais curioso da cidade.

Nos perdemos um pouco, mas, logo depois conseguimos chegar no hostel. Deixamos as mochilas no quarto e saímos. Infelizmente era segunda-feira e não tinha nenhum museu aberto. Então só nos restou passear pelas ruas, sentindo o doce e agradabilíssimo aroma de chocolate no ar, admirar a arquitetura dos prédios e as vitrines com mais chocolate e artesanato.

Paramos para comer um waffel gigante, compramos chocolates belgas deliciosos e voltamos para o hostel. Descansamos um pouco e decidimos sair para provar a famosa cerveja belga. Mas, no meio do caminho passamos por uma rua só de restaurantes. Na frente da maioria tinha um funcionário apresentando o cardápio e oferecendo preços especiais. Eles estavam literalmente disputando os clientes na rua. A oferta de comida boa e com preço bom foi tanta que acabamos jantando.

Do restaurante seguimos para o Delirium Café, um dos mais famosos bares de Bruxelas por servir uma quantidade sem fim de tipos de cerveja. Super recomendo o lugar. Bonito, bem decorado e animado em plena segunda-feira.


Nossa primeira parada, no coração da cidade

Grand Place


Pois é. Esse é o Manneken Piss

Impossível resistir

Morango, banana e chocolate...

Ruínas de um antigo castelo ao lado do hostel

Vista geral do Delirium

Cerveja boa essa Golden Draak! rs 

Cheers!

Last night

Era nossa última noite em Amsterdã. Jantamos, bebemos uma cerveja e rumamos pro Hostel. Era domingo, frio pra caramba, garoa fina, cidade meio largada às moscas e íamos acordar cedo pra tomar café e pegar o trem até Bruxelas no dia seguinte.

Estávamos passando por umas das ruas ao lado da prala Leidseplein quando fomos abordadas por um dos seguranças. Além de não pagar entrada, ganhamos dois drinks grátis. Espiamos pela porte e o lugar estava quase vazio. Ich, entramos ou não? Entramos. O DJ se animou e começou a colocar várias músicas animadas e o garçom bonito de olhos claros (êita cidade pra ter homem bonito) serviu nossos drinks na faixa. A música era boa e começaram a entrar outras pessoas. Um grupo de espanhóis que estava no mesmo pub que a gente, mais algumas mulheres, uma galera que estava no albergue.

Mas o ponto alto da noite foi a entrada de dois caras altos e fortões. Sabe aquela cena clássica de filme americano em que os soldados de folga entram no bar com aquela cara de vamos beber todas? Eu falei isso na hora pra a Cris. Eles ficaram do nosso lado no bar, puxaram papo e tiraram a gente pra dançar. E não é que eles eram mesmo do exército americano? Segundo eles nos contaram estavam numa missão na Alemanha e aquele era o final de semana de folga deles. Batata! Como diria Nélson Rodrigues.

Claro que tivemos que cortar a empolgação dos rapazes. Eles faziam o tipo "homem polvo" e falavam com aquele tom de voz de quem se acha a última coca-cola do deserto. Resultado: Ficaram tão indignados com o fato de não estarmos honradas com a companhia deles que foram embora sem nem dar tchau pra gente. Mas, o encontro inusitado rendeu boas risadas e esse post.


Vê se me erra!!! hahaha




Na cidade das bicicletas

Amsterdã é uma daquelas cidades lindinhas e fofas, exatamente do jeito que eu imaginava. Repleta de canais, museus, cafés, restaurantes, coffe shops e principalmente bicicletas. Elas estão por toda a parte, colorindo e enfeitando a cidade junto com as casinhas, os barquinhos e as tulipas. Pena que as flores só podem ser vistas na primavera e no verão. Mas, eu juro que volto um dia só pra ver as cidade florida.

Mas, voltemos às bicicletas. Minha maior preocupação na rua era evitar um atropelamento. Era só dar um ou dois passos de turista que não sabe exatamente para onde está indo que já ouvia a tal buzininha trimm, trimm. Eu até procurei pela buzina em lojas de souvenirs, mas não encontrei. Pensei até em entrar em contato com a assessoria de imprensa da prefeitura da cidade e deixar a sugestão. Achei estranho ninguém ter pensado nisso antes. Ou vai ver as buzinas-souvenir estavam em falta nessa época do ano. Vai saber.

Eu achei o máximo ver as magrelas pela cidade inteira. Homens, mulheres, jovens, idosos, famílias inteiras passeando pra cima e pra baixo de bicicleta. Quer coisa mais econômica, saudável e ecológicamente correta? Nós só não alugamos bicicletas porque estava nevando e eu certamente seria um risco ambulante ao guidão. hahahaha

Como a cidade é pequena conseguimos fazer a maioria dos passeios a pé. Amsterdã tem museu para tudo. Até para tulipas, diamantes e machonha. Muito engraçado. Ficamos apenas três dias, então não tive tempo para visitar todos os museus que eu gostaria. Mais um motivo para voltar, né?

O momento mais emocionante da viagem foi visitar o Museu Van Gogh. Fecho os olhos e ainda vejo a explosão de cores e vida das telas. O pintor adorava a tranquilidade da vida no campo e imortalizou belas paisagens bucólicas e a vida simples de trabalhadores rurais na lida e durante as refeições em família. Eu lembrei muito da minha infância no campo, da história da minha família de imigrantes europeus (alemães e italianos), camponeses como aqueles retratados pelo pintor holandês.

O acervo do museu conta com belas obras inclusive um dos Girassóis, da série de telas mais famosas do artista. O Vaso com 15 Girassóis, pintado em agosto de 1888. Simplesmente marvailhoso! O girassól têm um significado especial pra mim porque - além de ser uma das minhas flores preferidas, é da cor da minha cabeleira e dos cabelos do Van Gogh, que também era ruivo. Detalhe: Na Europa eu sou apenas mais um ponto laranja na multidão. (Preciso escrever um post especial sobre isso)

Um dos pontos turísticos mais badalados de Amterdã é a Red Light District, local onde podem ser vistas as famosas garotas de programa na vitrine. Ao invés de ficarem na rua ou em clubes, elas alugam as casa com janelas enormes e ficam lá no quentinho (pelo menos eu acho que é) só de lingerie. Algumas dançam, outras ficam sentadas em bancos ou cadeiras. As mais desinibidas chamam os potenciais clientes batendo no vidro e acenando.

Os turistas passeiam tranquilamente pelas ruas, só observando. Mas, apesar da prostituição ser legalizada em Amsterdã, é proibido fotografar as meninas. Numa das ruas quase conseguimos ouvir a negociação entre uma das garotas e um cliente. Estávamos curiosas para saber quanto elas cobram por programa, mas achamos sensato não bater em nenhuma porta pra perguntar. Além das vitrines, o bairro todo tem muitos sex shops, casas de shows, restaurantes e cafés. No mínimo peculiar, eu diria.

Outro momento bem marcante da viagem foi a visita ao Museu Anne Frank. É possível visitar o sótão do estabelecimento comercial onde a família judia ficou escondida por dois anos, durante a II Guerra Mundial. Quando descobertos pela polícia nazista, a família Frank e a do sócio que também ocupou parte da esconderijo, foi enviada para um campo de concentração. O pai de Anne foi o único sobrevivente e divulgou o comovente diário da filha para o mundo. O diário já foi publicado em diversos idiomas e virou filme em 1959, com o título O Diário de Anne Frank, do diretor George Stevens, e ganhou três Oscars.
 
Anne, que ficou no esconderijo dos 11 aos 13 anos, emocionou o mundo pela profundidade de seus pensamentos e postura otimista diante da vida.

"Todo mundo tem dentro de sí um fragmento de boas notícias. A boa notícias é que você não sabe o quão estraordinário você pode ser. O quanto você pode amar! O quanto você pode executar! E qual é o seu potencial". Anne Frank.
 
Alguns cliques pela cidade...


Nossa chegada na Central Station

Hostel Stay Okay

Vondelpark que fica em frente ao hostel

O canal, as bicicletas e eu

Canal congelado

Estacionamento

Casa-barco

Museu Van Gogh

Vaso com 15 Girassóis

Museu Anne Frank: estante que servia de passagem secreta
para o esconderijo

Só no sapatinho

Passeio de balsa






First class

Nosso destino era Amsterdã, mas como optamos por viajar de trem novamente, tivemos que fazer uma escala em Bruxelas. Chegamos às 10h15 na capital belga e às 10h18 partia um trem para a cidade das bicicletas, das tulipas e dos bolos alucinógenos. Poderíamos esperar o próximo, é claro, mas como queríamos chegar logo resolvemos correr os 3 minutos seguintes.

Foi um corre-corre danado, o funcionário que fica na plataforma fez até um movimento com a mão de "Corre que dá tempo", corremos mais um pouco e ufa! conseguimos. Espaçosos e confortáveis bancos de couro nos esperavam. Acomodamos nossas mochilas, casacos e respiramos aliviadas. Uns 40 minutos depois veio o fiscal checar nossos tickets e gentilmente nos informou que estávamos na primeira classe e como nosso bilhete era da classe econômica teríamos que mudar de vagão. Pô, um monte de lugar vazio. Bem que ele podia ter deixado a gente ali. Eu táva até tirando um cochilo naquela hora. rs

Bom, lá fomos nós para a segunda classe. Os bancos não eram de couro e o espaço para esticar as pernas era menor, mas foi uma viagem bem tranquila. Consegui apreciar belas paisagens pela janela. Tudo branquinho, branquinho de neve.


Sim, essa era a poltrona da primeira classe

Paisagem vista pela janela do trem

O show do trem

As três amigas não conseguiam parar de falar sobre as coisas maravilhosas que viram em Paris. Era segunda-feira, dia 4 de janeiro de 2010 e elas estavam no trem voltando para Londres, sentadas confortavelmente num espaço com quatro poltronas e uma mesinha.

O trio já estava chamando atenção pela agitação e tagarelice, mas o show aconteceu mesmo quando elas decidiram abrir um champanhe que desceu e subiu escadas do metrô, ficou guardado num guarda-volumes por algumas horas e seguiu viagem de elevador e mais algumas escadas até entrar no trem.

A intenção era abrir a garrafa usando a técnica que não faz barulho e não desperdiça nenhuma gota do precioso líquido. Aperta daqui, espreme de lá, a rolha saiu sem fazer barulho, mas o champanhe simplesmente jorrou como que de uma vertente, molhando a mesa, as poltronas e as três passageiras. Ouviram-se muitos risos contidos e algumas gargalhadas infantis. Pena que nenhuma das três lembrou de ligar a câmera a tempo de registrar o momento exato do banho. Palmas pra elas, pois o show da vida tem que continuar!


Ooooops!!!


Tim, tim!

Paris je t'aime!

Eu sempre fui apaixonada por filmes franceses ou que usam a bela Paris como cenário. Sempre tive muito vontade de "ver para crer" no que os livros, revistas e filmes me mostravam. Mas, conhecer a cidade luz superou todas as minhas expectativas. Achei a cidade linda, romântica e libertária.

Como não se emocionar ao percorrer as galerias do Louvre, as salas e jardins do Palácio de Versalhes ou subir ao topo da Torre Eiffel? Como não se apaixonar pela vida ao passear pelas margens do Rio Sena, ouvir música nas escadarias da basílica de Sacré Couer ou beber um vinho enquanto um artista termina um quadro em Montmartre?

Além disso, Paris é maravilhosamente imperfeita. Alguns parisienses não são de fato muito simpáticos e não gostam de falar outra língua que não seja a deles, o metrô é sujo e meio bagunçado, o atendimento nos restaurantes e cafés muitas vezes deixa a desejar. Paris também é mais cara do que Londres no quesito atrações turísticas e souvenirs. Na terra das brumas a maioria dos museus podem ser visitados de graça. Em Paris tudo é pago, com excessão do primeiro domingo do mês, quando alguns museus liberam o acesso ao público. Por conincidência estávamos lá no primeiro domingo de 2010 e visitamos o Louvre de graça.

Eu penso que cada experiência é única e depende muito do viajante. Eu fiquei apenas cinco dias, em férias e acompanhada de amigos queridos. Fiz passeios lindos, comi e bebi muito bem. Não sei como seria morar lá e viver o dia-a-dia da cidade real, com seus problemas e dilemas. Mas, eu pagaria para ver, para ter o privilégio de morar numa cidade que respira história, arte, amor e inspiração. Vive la liberté!

Uma pequena mostra das centenas de fotos clicadas na cidade luz.

Minha primeira foto com a torre

Catedral de Notre Dame e o Sena

O Arco do Triunfo

Basílica de Sacré Couer


Montmartre - praça dos artistas

Moulin Rouge

No café que serviu de cenário para o filme 
O Fabuloso Destimo de Amélie Poulain
Tentando descobrir como chegar ao próximo destino.
Preciso de uma bússola urgente. Alguém me ensina e ler mapas?

Nos jardins do Palácio de Versalhes

La Charlotte de I'isle. Chocolateria indicada pela minha amiga Isadora

Protaganista de Federico Fellini


Tremendo de frio em frente ao Louvre

No Louvre. Todos querem ver e fotografar a Monalisa


A Vênus de Milo. Famosa estátua que representa Afrodite,
a deusa grega do amor e da beleza


Eros e Psique. Belíssima escultura em mármore de Antônio Canova