domingo, 28 de fevereiro de 2010

Mais um ponto laranja na multidão


Enquanto eu olhava para as mulheres do quadro de Cézanne (Bathers - Les grandes baigneuses) na National Gallery, nessa tarde fria e chuvosa de domingo, lembrei do post que pensei em escrever logo que cheguei em Londres e me deparei com centenas de "red hair" pelas ruas, trens, metrô, pubs, lojas, etc.

Sexta-feira passada, por exemplo, eu encontrei cinco ruivos apenas no caminho da escola. Nos primeiros dias por aqui eu me senti  literalmente "apenas mais um ponto laranja na multidão". É engraçado porque o meu cabelo ruivo sempre foi a principal referência para as pessoas me identificarem na escola, faculdade, trabalho.

Na escola eu ouvia piadinhas do tipo "tomou muita água e enferrujou" e era chamada de"foguinho","ferrugem", "vermelhinha" e até de "feriadinho" - porque no calendário as datas de feriado são destacadas em vermelho. Eu detestava ser ruiva e sardenta e na adolescência vivia escurecendo o cabelo, passando tonalizante, fazendo luzes, detonava com a cor e com os fios até perceber que o dourado que eu tanto tentava deixar cinza e as sardas que eu tanto passava sardalina e lavava o rosto com água de arroz para clarear, eram a minha marca e que o diferente também poderia ser bonito.

Hoje eu adoro a cor do meu cabelo e convivo em paz com minhas sardas que se bem pretegidas do sol tem lá o seu charme e me deixam com cara de 'sapeca' mesmo depois dos 30 anos. rs 




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

The last time!


Hoje é dia 25 de fevereiro e embarco para o Brasil no próximo dia 11 de março. Portanto, restam apenas duas semanas do meu maravilhoso intercâmbio. Estou bastante animada com a volta, com muita saudade da família, amigos, teatro/trabalho, comida, calor, SOL... Acho que vou fugir pra praia no segundo final de semana que estiver por Sampa porque no primeiro tenho o casamento da minha querida amiga Marina Sarruf.

Bom, mas essa animação toda também tem algumas pitadas de melancolia porque eu adoro Londres e quem conhece a cidade sabe bem do que estou falando. A Terra das Brumas de fato tem uma certa magia que faz a gente ter vontade de ficar mais tempo aqui. Fiz várias coisas bacanas nas últimas semanas e quero muito compartilhar essas histórias e fotos, mas agora preciso aproveitar esses últimos dias e voltar aos museus e lugares que mais gosto. Depois eu escrevo com calma. Sábado vou pra Liverpool fazer o Tour dos Beatles (banda que eu simplesmente AMO) e semana que vem vou pra Alemanha, mais precisamente Berlim. Portanto, preciso preparar o roteiro e a mochila. Oba!


Passeio de barco pelo Tamisa

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Uau!

A pequena Ana Rita não parava de repetir "Uau, Uau, Uau!" enquanto olhava as luzes coloridas que piscavam do lado de fora de um restaurante, na Brick Line Street. Todas as pessoas que passaram pela rua naquele momento pararam para admirar a cena. Existe coisa mais maravilhosa que enxergar o mundo por meio dos olhos curiosos de uma criança? Eu duvido.

Como nasceu numa família que coleciona "Anas", ela é carinhosamente chamade de Anita e é linda de viver, com cabelos loiros de anjo e olhos azuis que refletem toda a sua fome de vida. A Anita é filha do Snappy e da Ana Candida - que é sobrinha da Ana Maria, uma das minhas grandes amigas desde a época do colégio lá em Três de Maio (Ops, faz tempo, né? rs).
 
No ano passado eu tive o privilégio de conhecer essa família linda e amorosa que mora aqui Londres e até fiz algumas fotos do batizado da princesinha que nasceu na Terra das Brumas e recentemente foi eleita "Bebê do Ano" com votação do público pelo site da Nippaz (http://www.nippazwithattitude.com/nippaoftheyear.html). Será que essa menina tem futuro como modelo? Quem viver verá.

Por que esses olhos tão lindos?


Anas e eu

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Êita mundo pequeno


Cena 1: Eu entro no metrô na estação de Waterloo numa tarde de quinta-feira e vejo um rosto familiar na multidão. Eu olho, ele olha e pergunta: Geo? É você mesma? Era meu amigo Guilherme, que estudou comigo na faculdade em São Leopoldo e eu não via desde os tempos do Radar na TVE, ou seja, mais de sete anos.


Cena 2: Eu estou parada em frente a uma vitrine de loja na Oxford Street quando ouço meu nome com um sotaque estanho. Era e Deren, uma belga que eu conheci quando estava na fila do registro na Polícia de Londres e pensei que nunca mais veria na vida.

Cena 3: Eu chego na estação de Piccadilly Circus e encontro com o Sérgio, um colombiano que estudou comigo em setembro, na minha primeira semana de aula. Depois ele mudou de escola, de trabalho e de endereço. Segundo ele, era a primeira vez em meses que passava por ali.


Cena 4: Eu saio do metrô na estação de Green Park e dou de cara com o Pedro, meu primeiro amigo brasileiro em Londres. Se tivesse marcado, com certeza não encontraria com ele naquela exata hora, naquele exato local.

Cena 5: Eu estou passeando pelos jardins do Palácio de Versalhes, em Paris, me sentindo muito chique e encantada com tudo o que vejo, quando alguém toca no meu ombro: eu viro e o moço fala: "Eu te conheço!" Aí eu pergunto: "De onde?" Ele responde: "Eu moro em São Paulo, trabalho perto da Paulista e tenho certeza que te conheço". Eu olho atentamente para ele e para a moça que o acompanha e não faço a menor idéia de já ter visto aqueles rostos. Eu falo: Bom, deve ser de lá então. Feliz Ano Novo, quem sabe nos vemos em São Paulo! E sigo meu rumo. Meus amigos dão risada da minha cara. Mas o que mais eu poderia falar?

Cena 6: Eu estou admirando uma pintura italiana no Louvre quando ouço meu nome com sotaque estranho de novo. Era um dos meus colegas coreanos da escola de inglês. Eu olho para ele surpresa e feliz e tento dar um abraço e desejar Feliz no Novo. Ele se esquiva com a agilidade de um ninja. Ops! Esqueci que eles não podem abraçar, tocar, muito menos beijar o rosto de pessoas que não sejam da família.

Cena 7: Eu estou saindo do metrô em Piccadilly e dou de cara com o Paulo, meu colega de trabalho no bar aqui em Londres, que por uma dessas estranhas coincidências da vida, trabalhou na Band, em Porto Alegre, com o "Roque", um dos meus melhores amigos na faculdade. Nós dois estávamos com pressa, nem deu tempo de perguntar o que ele fazia por ali naquela hora.

Aguarde as cenas e encontros dos próximos capítulos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A fuga do guarda-chuva

Meu guarda-chuva fugiu de Londres. Em setembro do ano passado ele partiu comigo para uma temporada de seis meses na terra das brumas. Ele estava bem, na verdade muito feliz por ter visto neve pela primeira vez e conhecido tantas pessoas e lugares diferentes. Ele jurava que não se importava com os banhos gelados de chuva e garoa.

Em Paris, ele não se intimidou com a neve, brincou com a chuva e encarou com bravura 7 graus negativos. Mas, acho que a neve de Amsterdã e o dia que ele quase foi atropelado por uma bicicleta deixaram o coitado meio estressado. Deve ter sido por isso que ele se recusou a sair do Hostel em Bruxelas.

Voltamos juntos para Londres e quando uma amiga arrumou a mala para voltar ao Brasil, ele foi colocado num dos bolsos externos a caminho do aeroporto. Esperto que é, o danado ficou lá quietinho, não deu um pio na alfândega e só apareceu quando percebeu o calor e o sol do verão tupiniquim. Apesar de ter ficado aqui sozinha, eu entendo essa inesperada volta antecipada. É fevereiro, o verão tá bombando e o Carnaval tá chegando.

Bom, ele é verde musgo, tem um belo corpo de alumínio, é leve e resistente. Foi visto pela última vez na região da Lapa, em São Paulo. Se você cruzar com ele por aí, por favor, avisa o safado que eu tô voltando em março.

 
Guarda-chuvas, de Renoir