2009 foi o ano da ação e da transformação. Muitas mudanças aconteceram na minha vida. Conheci novos amigos, compartilhei momentos incríveis com meus amigos de fé (hoje eu sei que conto com eles para o que der e vier), terminei o curso de teatro no Macú, fiz ginástica e musculação (uma promessa antiga de ano novo), estudei inglês (promessa mais antiga ainda... rs), vendi e doei roupas, objetos e móveis que eu não queria mais por perto, mudei de casa, ganhei um prêmio de jornalismo, me permite experimentar novas emoções e reavaliei muitas certezas e planos. Os meses foram passando e eu fui ficando tão bem comigo mesma e com meus novos projetos que até me apaixonei no mês do meu aniversário. Mas, a grande mudança aconteceu quando desembarquei em Londres. Aqui, na terra das brumas, vivo um dia de cada vez. Daqui a pouco eu embarco para Paris. Vou brindar a chegada de 2010 em grande estilo e cercada de amigos queridos.
Merci beaucoup! Au revoir!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Merry Christmas! Feliz Navidad! Feliz Natal!
Celebração natalina em inglês, espanhol e português. Assim foi meu primeiro Natal em Londres e o segundo longe da minha família. Apesar de ter mudado de casa e cidade aos 18 anos para estudar e trabalhar, eu sempre fiz questão de passar meu Natal em Três de Maio, lá no interior do Rio Grande. A primeira vez que não estive presente na celebração familiar, sempre preparada com muito cuidado e amor, passei na casa de uma amiga porque trabalhei até dia 24 e não consegui viajar.
Foi uma comemoração diferente e divertida. Londres estava linda e iluminada. Apesar da chuva fina e do frio, durante o dia as ruas estavam lotadas de gente apressada com muitos pacotes de presente. Tudo igualzinho a aquelas cenas típicas de filmes sobre o Natal. E por falar nisso, na quarta-feira eu assisti novamente o filme "Simplesmente Amor", aquele que tem o Rodrigo Santoro no elenco e foi muito legal identificar no cinema os lugares e ruas que hoje fazem parte da minha rotina. A comédia romântica do diretor Richard Curtis é melosa, fofa, me faz chorar e eu adoro, claro.
Lá pelas quatro da tarde encontrei com a minha amiga Cris e uma galera da escola do White Horse, que é o pub mais popular entre os estudantes da Malvern. Ele é praticamente uma filial da escola. É um lugar bacana para encontrar os colegas e professores, mas não tem música. Então resolvemos procurar uma opção mais animada pela vizinhança. O primeiro, um pub australiano, estava fechado e o segundo tinha poucas pessoas e música de elevador.
O dia escureceu e a cidade começou a ficar vazia. Aqui tudo fecha no 24 de dezembro e só volta a abrir no dia 26. Lojas, supermercados, restaurantes, bares, cafés... tudo fica fechado. Não tem metrô, nem ônibus circulando depois da meia-noite. No dia 25 só carros particulares e táxis, com preços altíssimos. Por isso a maioria das pessoas compra bastante comida e bebida para passar o dia de Natal em casa. E foi o que fizemos. rs
Mas, recapitulando. Ontem, depois da peregrinação frustrada em busca de um pub com música, decidimos voltar para casa, pois teríamos um jantar especial de Natal. As colombianas prepararam uma ceia com peru e batatas assadas, com dois molhos diferentes (um salgado e um doce) e salada mista. Para beber, vinho, cerveja e refrigerante. A noite teve novena natalina em espanhol, troca de presentes e muita música antes e depois da meia-noite. Aliás, elas adoram música brasileira.
Confesso que estou impressionada com a animação das colombianas. Agora, por exemplo, enquanto eu estou aqui escrevendo e desejando um pouco de paz e sossego, elas estão lá na cozinha comendo, bebendo e dançando na maior animação. Ho! Ho! Ho!
Família e amigos queridos!
Desejo um Natal doce e abençoado e um Ano Novo repleto de saúde, amor, desafios, conquistas... embrulhado em muita felicidade.
MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR!
Foi uma comemoração diferente e divertida. Londres estava linda e iluminada. Apesar da chuva fina e do frio, durante o dia as ruas estavam lotadas de gente apressada com muitos pacotes de presente. Tudo igualzinho a aquelas cenas típicas de filmes sobre o Natal. E por falar nisso, na quarta-feira eu assisti novamente o filme "Simplesmente Amor", aquele que tem o Rodrigo Santoro no elenco e foi muito legal identificar no cinema os lugares e ruas que hoje fazem parte da minha rotina. A comédia romântica do diretor Richard Curtis é melosa, fofa, me faz chorar e eu adoro, claro.
Lá pelas quatro da tarde encontrei com a minha amiga Cris e uma galera da escola do White Horse, que é o pub mais popular entre os estudantes da Malvern. Ele é praticamente uma filial da escola. É um lugar bacana para encontrar os colegas e professores, mas não tem música. Então resolvemos procurar uma opção mais animada pela vizinhança. O primeiro, um pub australiano, estava fechado e o segundo tinha poucas pessoas e música de elevador.
O dia escureceu e a cidade começou a ficar vazia. Aqui tudo fecha no 24 de dezembro e só volta a abrir no dia 26. Lojas, supermercados, restaurantes, bares, cafés... tudo fica fechado. Não tem metrô, nem ônibus circulando depois da meia-noite. No dia 25 só carros particulares e táxis, com preços altíssimos. Por isso a maioria das pessoas compra bastante comida e bebida para passar o dia de Natal em casa. E foi o que fizemos. rs
Mas, recapitulando. Ontem, depois da peregrinação frustrada em busca de um pub com música, decidimos voltar para casa, pois teríamos um jantar especial de Natal. As colombianas prepararam uma ceia com peru e batatas assadas, com dois molhos diferentes (um salgado e um doce) e salada mista. Para beber, vinho, cerveja e refrigerante. A noite teve novena natalina em espanhol, troca de presentes e muita música antes e depois da meia-noite. Aliás, elas adoram música brasileira.
Confesso que estou impressionada com a animação das colombianas. Agora, por exemplo, enquanto eu estou aqui escrevendo e desejando um pouco de paz e sossego, elas estão lá na cozinha comendo, bebendo e dançando na maior animação. Ho! Ho! Ho!
Família e amigos queridos!
Desejo um Natal doce e abençoado e um Ano Novo repleto de saúde, amor, desafios, conquistas... embrulhado em muita felicidade.
MERRY CHRISTMAS AND HAPPY NEW YEAR!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Quem bate?
É o FRIOOOOOOOOOOOOOOOOOO! E ele chegou chegando em Londres. A temperatura média não passou de 2 ou 3 graus na última semana. De madrugada já fez 5 graus negativos. Dia 16 de dezembro, na ida para a escola, vi e senti a neve pela primeiar vez na minha vida. Foi uma cena linda! Andei feliz pelas ruas e chorei de emoção enquanto observava os flocos de neve pela janela. Não prestei muito atenção na aula naquele dia. Eu só pensava em como seria divertido fazer um boneco de neve. Acho que tenho mesmo alma de criança, como disse meu amigo Juan Pablo.
Os primeiros flocos a gente nunca esquece...
Nevou, nevou, nevou...
Domingo fomos até Greenwich! Táva frio pra caramba!
Tinha gelo no chão e a subida era longa...
...mas, o lugar tem uma vista linda da cidade!
Nessa hora meu pé já táva congelado...
Como táva cansada do frio, dei um pulo no Rio e em Brasília
Minha amiga Cris trouxe carinho e calor do Brasil
Quebra do silêncio
Amigos queridos. Hoje eu volto a escrever no blog. Além de estar cansada por causa das aulas, do
trabalho e das roupas pesadas do frio, precisei de um tempinho sozinha, em silêncio. A paisagem londrina mudou completamente nessas últimas semanas. O outono e os tapetes de folhas deram espaço para o invenro, o frio e a neve. Foi emocionante ver e sentir os primeiros flocos de neve. Será que eu chorei? rs
Aqui em Londres tenho vivido um dia de casa vez. Basta olhar ao redor para perceber que todos têm pressa para aprender, ensinar, trabalhar, comer, comprar, beber. "É a corrida dos ratos atrás do queijo", me disse uma amiga. Coisa de cidade grande. Tem sempre alguém correndo para chegar na escola, no trabalho, no supermercado, para pegar o último trem. Todos têm pressa e a pontualidade nem sempre é britânica. rs
Nesse último mês eu deixei um pouco de lado minha condição de observadora e entrei na corrida. Escrevi alguns posts ao longo do caminho, mas deu preguiça ou faltou tempo para postar. Tenho refletido muito sobre a minha vida e as minhas escolhas pessoais e profissionais. Esse exílio voluntário em Londres está permitindo que eu olhe minha vida de fora. Parece papo de doido, mas eu consigo ver claramente o que eu gosto e o que eu preciso mudar. E a mudança interna já começou.
trabalho e das roupas pesadas do frio, precisei de um tempinho sozinha, em silêncio. A paisagem londrina mudou completamente nessas últimas semanas. O outono e os tapetes de folhas deram espaço para o invenro, o frio e a neve. Foi emocionante ver e sentir os primeiros flocos de neve. Será que eu chorei? rs
Aqui em Londres tenho vivido um dia de casa vez. Basta olhar ao redor para perceber que todos têm pressa para aprender, ensinar, trabalhar, comer, comprar, beber. "É a corrida dos ratos atrás do queijo", me disse uma amiga. Coisa de cidade grande. Tem sempre alguém correndo para chegar na escola, no trabalho, no supermercado, para pegar o último trem. Todos têm pressa e a pontualidade nem sempre é britânica. rs
Nesse último mês eu deixei um pouco de lado minha condição de observadora e entrei na corrida. Escrevi alguns posts ao longo do caminho, mas deu preguiça ou faltou tempo para postar. Tenho refletido muito sobre a minha vida e as minhas escolhas pessoais e profissionais. Esse exílio voluntário em Londres está permitindo que eu olhe minha vida de fora. Parece papo de doido, mas eu consigo ver claramente o que eu gosto e o que eu preciso mudar. E a mudança interna já começou.
domingo, 29 de novembro de 2009
Outono em Londres
Eu recomendo. Cheguei em Londres no começo do Outono e o clima estava ótimo. Fiz muitos passeios pelas ruas e pelos parques da cidade em dias lindos e ensolarados. Uma delícia tomar sorvete e fazer piquenique em setembro. Andar pelas ruas e observar tantas folhas caindo, despertou em mim uma sensação boa de renovação. As folhas velhas caem para que as novas folhas possam nascer, certo? Então, que venha o Inverno. Terei tempo suficiente para preparar minhas novas folhas até a Primavera.
Tapete de folhas
Lovely! Fantastic! Amazing!
Os londrinos adoram essas três palavras. Acho que elas perdem apenas para 'Sorry', 'Please' e 'Thank you'! Na segunda semana que eu estava aqui recebi esse vídeo (link abaixo) do meu querido amigo Johnny, que já mochilou muito por aí e também adora Londres. A terra das brumas tem uma certa magia no ar. Aqui tudo acontece num ritmo diferente, sem muita explicação ou sentido. Apenas acontece.
Duvida? Pois bem. Num dia comum, uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu uma mobilização na Trafalgar Square, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: "Esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário". E nada mais foi dito.
Os que foram pensaram que iriam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora marcada, os organizadores distribuíram muitos microfones, muitos mesmo, e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!!! E todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto. Lovely! A banda escolhida só podia ser Beatles. Fantastic!
Acesse, ouça, cante junto e sinta um pouco da energia que alimenta a cosmopolita Londres! Amazing!
http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0
Duvida? Pois bem. Num dia comum, uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu uma mobilização na Trafalgar Square, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: "Esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário". E nada mais foi dito.
Os que foram pensaram que iriam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora marcada, os organizadores distribuíram muitos microfones, muitos mesmo, e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!!! E todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto. Lovely! A banda escolhida só podia ser Beatles. Fantastic!
Acesse, ouça, cante junto e sinta um pouco da energia que alimenta a cosmopolita Londres! Amazing!
http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0
A Casa das Sete Mulheres
Não, não é o título da minissérie da Globo gravada no Rio Grande do Sul. É a definição da casa onde moro em Londres. Na verdade, eram sete até eu chegar. Agora somos oito e haja paciência pra agüentar tanta TPM. rs
Todas trabalham e estudam, em horários e lugares diferentes, por isso durante a semana mal nos encontramos pelas áreas comuns da casa. As colombianas são muito animadas e adoram uma festa. Aos finais de semana é comum rolar um jantar ou almoço coletivo e às vezes conseguimos sair todas juntas. Diversão garantida.
Descendo os degraus, da esquerda para a direita: Rosio, Juliana, Catalina, Nathalie, Ana Maria, Mônica e Juanita.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
A mudança
O dia da minha mudança não começou como planejado. Saí no sábado e por isso acordei mais tarde do que gostaria. A Sra. Pamela tinha um compromisso e já estava pronta para sair. Tirei algumas fotos com ela e fui arrumar minhas coisas.
Eu gosto de fazer a mala com calma, enrolando as roupas para ficar tudo menos amassado e ter mais espaço. Normalmente funciona. O problema é que como eu já comprei algumas coisinhas a mala não fechava. Eu também já juntei revistas, jornais, cadernos... Aperta daqui, espreme de lá, fechou. Saí arrastando as malas escada abaixo me sentindo um caracol que leva a casa nas costas. Uma mala grande, a mochila, mais minha bolsa e uma sacola onde coloquei os casacos. Juntando tudo ficou bem pesado! Nossa, o trecho que eu normalmente levo 12 minutos acho que levei uns 40.
Teve um momento que eu quase sentei e chorei. A verdade é que fui muito teimosa em querer levar tudo sozinha e de metrô. Achei que seria super tranquilo, afinal de contas era apenas uma mala e uma mochila. Pouca coisa considerando que vou ficar aqui seis meses.. As minhas amigas (Clau, Dé e Cris - queridas!) olharam para a minha bagagem no dia do embarque e perguntaram: Você vai levar só isso?
Detalhe: Quando fui para o Aeroporto em Sampa a Cris e Dé me levaram e me ajudaram com tudo. Quando cheguei aqui tinha um motorista me esperando e me deixou na porta da casa. Se arrependimento matasse...
Pensei em pegar um táxi, mas estava sem dinheiro suficiente no bolso e o caixa eletrônico mais próximo ficava no metrô. E se chegasse até lá, já seria meio caminho andado. Eu caminhava uma quadra e parava pra descansar.Quando cheguei no metrô um rapaz me ajudou a descer as escadas com a mala, ou melhor, ele desceu a mala para mim.
Na troca de trens uma moça me ajudou e na saída da estação de New Cross Gate, um senhor me ajudou a subir os dois lances de escada. Ainda bem que essas três almas generosas cruzaram o meu caminho no metrô. Minhas costas agradeceram muito. rs
Saí da estação, andei mais duas quadras... Ufa! Cheguei! Fui super bem recebida na casa pela mulherada. Quero só ver como será a convivência com mais sete mulheres. Descansei uns 10 minutos, tomei uma água e antes que a preguiça tomasse conta do corpo organizei minhas coisas no armário e fui com a Mônica e a Natalie, que divide quarto comigo, fazer o registro do novo endereço na polícia. Pelo menos dessa vez foi sem filas e sem stress.
Minha dica é: Se tiver dinheiro, chame um táxi; Se tiver amigos por perto, peça ajuda; Se a única alternativa for encarar metrô/ônibus sozinho, faça mais de uma viagem. rs
O cansaço foi tão grande que não fiz nenhuma foto da mudança.
Eu gosto de fazer a mala com calma, enrolando as roupas para ficar tudo menos amassado e ter mais espaço. Normalmente funciona. O problema é que como eu já comprei algumas coisinhas a mala não fechava. Eu também já juntei revistas, jornais, cadernos... Aperta daqui, espreme de lá, fechou. Saí arrastando as malas escada abaixo me sentindo um caracol que leva a casa nas costas. Uma mala grande, a mochila, mais minha bolsa e uma sacola onde coloquei os casacos. Juntando tudo ficou bem pesado! Nossa, o trecho que eu normalmente levo 12 minutos acho que levei uns 40.
Teve um momento que eu quase sentei e chorei. A verdade é que fui muito teimosa em querer levar tudo sozinha e de metrô. Achei que seria super tranquilo, afinal de contas era apenas uma mala e uma mochila. Pouca coisa considerando que vou ficar aqui seis meses.. As minhas amigas (Clau, Dé e Cris - queridas!) olharam para a minha bagagem no dia do embarque e perguntaram: Você vai levar só isso?
Detalhe: Quando fui para o Aeroporto em Sampa a Cris e Dé me levaram e me ajudaram com tudo. Quando cheguei aqui tinha um motorista me esperando e me deixou na porta da casa. Se arrependimento matasse...
Pensei em pegar um táxi, mas estava sem dinheiro suficiente no bolso e o caixa eletrônico mais próximo ficava no metrô. E se chegasse até lá, já seria meio caminho andado. Eu caminhava uma quadra e parava pra descansar.Quando cheguei no metrô um rapaz me ajudou a descer as escadas com a mala, ou melhor, ele desceu a mala para mim.
Na troca de trens uma moça me ajudou e na saída da estação de New Cross Gate, um senhor me ajudou a subir os dois lances de escada. Ainda bem que essas três almas generosas cruzaram o meu caminho no metrô. Minhas costas agradeceram muito. rs
Saí da estação, andei mais duas quadras... Ufa! Cheguei! Fui super bem recebida na casa pela mulherada. Quero só ver como será a convivência com mais sete mulheres. Descansei uns 10 minutos, tomei uma água e antes que a preguiça tomasse conta do corpo organizei minhas coisas no armário e fui com a Mônica e a Natalie, que divide quarto comigo, fazer o registro do novo endereço na polícia. Pelo menos dessa vez foi sem filas e sem stress.
Minha dica é: Se tiver dinheiro, chame um táxi; Se tiver amigos por perto, peça ajuda; Se a única alternativa for encarar metrô/ônibus sozinho, faça mais de uma viagem. rs
O cansaço foi tão grande que não fiz nenhuma foto da mudança.
Essa é a Sra Pamela, dona da casa onde morei
durante minhas primeiras semanas em Londres
Não falei que era uma inglesa simpática?
A sala onde eu assistia TV e estudava
As escadas por onde desci com a mala,
a mochila, a bolsa, os casacos...
terça-feira, 17 de novembro de 2009
A busca
A minha busca por uma nova casa para morar levou duas semanas. Fiz várias pesquisas no site http://www.gumtree.com/ (site muito utilizado por aqui), conversei com colegas, amigos e professores. Ofertas não faltam, mas eu queria uma casa bacana, limpa (a Sra. Pâmela que me perdoe, mas limpeza é fundamental), com preço justo, nas zonas 1 ou 2 para pagar transporte mais barato e não queria morar com brasileiros para ser obrigada a me comunicar em inglês com os demais moradores.
A seleção começou e quando eu gostava da casa e do bairro, não gostava do preço. Quando eu gostava da casa e do preço, não gostava do bairro ou era muito longe. Já tinha me programado para visitar mais 2 casas no dia seguinte quando a Mônica, uma colombiana super querida que estuda comigo na Malvern, me falou que iria liberar um quarto na casa dela. Fui lá conhecer.
Depois da aula, andamos até Charing Cross para pegar o trem que passou pelo Big Ben e pela London Eye. E eu já fui gostando, já fui sentindo uma energia boa. A casa fica super perto da estação New Cross Gate (Zona 2) e de dois pontos de ônibus. De trem, você chega em London Bridge em 6 minutos, onde tem acesso a várias linhas de metrô e trem. A casa é legal, tem quatro quartos grandes (todos double), cozinha e um banheiro, também grande. Elas logo me avisaram que as demais moradoradas têm horários diferentes por isso não tem muito problema com filas na hora do banho. rs
Como eu precisava mudar dali a uma semana já acertei que ficaria com o quarto, ou metade dele para ser mais específica. Eu preferia alugar um single, mas fui vencida pelos altíssimos preços da moradia em Londres. Vou dividir quarto com uma pessoa estranha, mas que está ali com projetos e sonhos bem parecidos com os meus. Sensação boa de voltar aos tempos da faculdade.
A seleção começou e quando eu gostava da casa e do bairro, não gostava do preço. Quando eu gostava da casa e do preço, não gostava do bairro ou era muito longe. Já tinha me programado para visitar mais 2 casas no dia seguinte quando a Mônica, uma colombiana super querida que estuda comigo na Malvern, me falou que iria liberar um quarto na casa dela. Fui lá conhecer.
Depois da aula, andamos até Charing Cross para pegar o trem que passou pelo Big Ben e pela London Eye. E eu já fui gostando, já fui sentindo uma energia boa. A casa fica super perto da estação New Cross Gate (Zona 2) e de dois pontos de ônibus. De trem, você chega em London Bridge em 6 minutos, onde tem acesso a várias linhas de metrô e trem. A casa é legal, tem quatro quartos grandes (todos double), cozinha e um banheiro, também grande. Elas logo me avisaram que as demais moradoradas têm horários diferentes por isso não tem muito problema com filas na hora do banho. rs
Como eu precisava mudar dali a uma semana já acertei que ficaria com o quarto, ou metade dele para ser mais específica. Eu preferia alugar um single, mas fui vencida pelos altíssimos preços da moradia em Londres. Vou dividir quarto com uma pessoa estranha, mas que está ali com projetos e sonhos bem parecidos com os meus. Sensação boa de voltar aos tempos da faculdade.
Home! Sweet home 2! Casa número 25, porta azul.
Vista da rua e do colégio em frente
Bus station
Sem comentários... rs
Fifteenth day
Depois do lindo domingo de sol, veio uma segunda-feira cinza e chuvosa. Minha intuição me disse para ficar dormindo, mas eu levantei assim que o despertador tocou, tomei banho, café e fui para a agência de catering que meu amigo Pedro indicou.
Cheguei lá e a pessoa (até já deletei o nome da mulher) com quem eu deveria falar não estava na sala. Sem dizer uma palavra além de ‘good morning’, a outra moça que me atendeu me entregou um formulário e apontou para uma sala. Lá fui eu para a sala com mais umas 10 pessoas preencher a tal ficha.
Quando terminei voltei para a sala e encontrei a mulher que, pela descrição do Pedro, era a pessoa certa para eu falar. Uma irlandesa ruiva e com cara de brava. Ela me atendeu enquanto conversava com um homem na mesa ao lado, mal olhou para a minha cara, falou super rápido enquanto organizava alguns papéis sobre a mesa e eu não consegui entender quase nada do que ela falou. Pedi para ela repetir duas vezes a mesma pergunta, fiquei nervosa e continuei sem entender. O problema é que cada vez que ela repetia a pergunta, aumentava o tom de voz e no fim foi super grosseira comigo.
Foi uma experiência bem desagradável e frustrante. Saí de lá arrasada. Lembrei de quando eu tinha 16 anos e fui procurar meu primeiro trabalho e a dona da loja achou que eu não iria aguentar trabalhar oito horas em pé. Pelo menos na época ela falou isso educadamente. Mas, porta na cara é sempre porta na cara, né? Acho que a gente nunca esquece.
Enquanto eu voltava para o metrô, respirei fundo, contei até mil e pensei: "Calma Geovana. Estou aqui há apenas duas semanas. Minha prioridade agora é estudar e felizmente tenho condições para me manter aqui por mais um tempo". (Eu sempre converso comigo mesma. Será que tenho algum problema muito sério? rs)
Na escola durante o intervalo conheci o Fred, amigo de uns amigos que trabalham no bar. Ele é um mecânico que mora em Portugal consertando aviões na Líbia. Na hora liguei para o meu chefe Joel no Brasil e sugeri uma matéria sobre a história do mecânico brasileiro que conserta aviões líbios. Estou de licença da ANBA, mas se pintar alguma pauta que tenha relação entre Brasil e países árabes posso fazer.
Ele achou bacana, fiz a entrevista e minha primeira matéria apurada em Londres foi publicada. Ueba!
Veja a matéria no link abaixo:
http://www.anba.com.br/noticia_tecnologia.kmf?cod=9007277
Banana para a irlandesa mal educada e mal amada!
Cheguei lá e a pessoa (até já deletei o nome da mulher) com quem eu deveria falar não estava na sala. Sem dizer uma palavra além de ‘good morning’, a outra moça que me atendeu me entregou um formulário e apontou para uma sala. Lá fui eu para a sala com mais umas 10 pessoas preencher a tal ficha.
Quando terminei voltei para a sala e encontrei a mulher que, pela descrição do Pedro, era a pessoa certa para eu falar. Uma irlandesa ruiva e com cara de brava. Ela me atendeu enquanto conversava com um homem na mesa ao lado, mal olhou para a minha cara, falou super rápido enquanto organizava alguns papéis sobre a mesa e eu não consegui entender quase nada do que ela falou. Pedi para ela repetir duas vezes a mesma pergunta, fiquei nervosa e continuei sem entender. O problema é que cada vez que ela repetia a pergunta, aumentava o tom de voz e no fim foi super grosseira comigo.
Foi uma experiência bem desagradável e frustrante. Saí de lá arrasada. Lembrei de quando eu tinha 16 anos e fui procurar meu primeiro trabalho e a dona da loja achou que eu não iria aguentar trabalhar oito horas em pé. Pelo menos na época ela falou isso educadamente. Mas, porta na cara é sempre porta na cara, né? Acho que a gente nunca esquece.
Enquanto eu voltava para o metrô, respirei fundo, contei até mil e pensei: "Calma Geovana. Estou aqui há apenas duas semanas. Minha prioridade agora é estudar e felizmente tenho condições para me manter aqui por mais um tempo". (Eu sempre converso comigo mesma. Será que tenho algum problema muito sério? rs)
Na escola durante o intervalo conheci o Fred, amigo de uns amigos que trabalham no bar. Ele é um mecânico que mora em Portugal consertando aviões na Líbia. Na hora liguei para o meu chefe Joel no Brasil e sugeri uma matéria sobre a história do mecânico brasileiro que conserta aviões líbios. Estou de licença da ANBA, mas se pintar alguma pauta que tenha relação entre Brasil e países árabes posso fazer.
Ele achou bacana, fiz a entrevista e minha primeira matéria apurada em Londres foi publicada. Ueba!
Veja a matéria no link abaixo:
http://www.anba.com.br/noticia_tecnologia.kmf?cod=9007277
Banana para a irlandesa mal educada e mal amada!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Fourteenth day
O domingo de sol foi o dia perfeito para conhecer Camden Town, bairro considerado o berço do punk e mundialmente famoso por seu mercado, lojas, restaurantes e pubs. Aos finais de semana o lugar fica lotado, principalmente de turistas e descolados em geral.
Essa parte de Londres também é o lugar ideal para comprar roupas e acessórios alternativos (punk, gótica, fetiche, vintage). Não tem como ver tudo de uma vez. Tem comida, artesanato, roupas novas e de brechó, acessórios, bijus, sapatos, bolsas, espelhos, incensos e muita música no ar.
De acordo com que andei lendo por aí, o primeiro grande evento de rock que aconteceu em Camden foi em 1966 no Roundhouse, um antigo armazém de locomotivas, em Chalk Farm Roud, onde o Pink Floyd se apresentou. A banda Sex Pistols também nasceu no bairro em 1975. A cantora Amy Winehouse mora em Camden, mas não nos encontramos. Com certeza ela estava 'viajando' por aí. rs
Depois de Camden ainda consegui dar um pulo em Regent's Park. De longe o parque mais bonito que visitei até agora em Londres. Voltarei ao parque em breve para procurar uma árvore especial. Farei isso assim que concluir a leitura de 'Cartas a um jovem poeta', do Rainer Maria Rilke, presente dos meus amados amigos Alessandro e Dawton.
O Canal de Camden
Banca de camisetas na rua
Parte externa do mercado
Parte interna do mercado
Loja de instrumentos musicais
Sebo e brechó com música ao vivo
Regent's Park
Lindo
Tranquilo, florido
E cheio de vida
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Thirteenth day
Sabadão. Acordei bem tarde, tomei meu café sem pressa e mandei uma mensagem para a Hatice. Friozinho, garoa, preguiça de sair de casa... mas as ruas de Londres sempre me chamam. Eu tenho andado tanto por aqui que até desencanei de procurar uma academia. Pelo menos por enquanto não será necessário.
Antes de ir para Piccadilly fui conhecer a casa onde vive a Rose, que é filha da Sra. Pâmela e está alugando um quarto. Não é muito longe do metrô, o quarto tem um tamanho bom, mas ela quer 100 libras por semana e a visão da cozinha é um cemitério. Nada contra cemitérios, mas não fiquei muito animada com a ideia, nem com o preço. O jeito será seguir com minha busca. Amanhã vou ver mais dois quartos.
Peguei o metrô e assim que cheguei ao centro a Hatice mandou mensagem avisando que estava no bus porque o trânsito estava muito parado. Fui dar uma espiada na liquidação da GAP. Ainda bem que estava sem meu cartão de crédito. Mais ou menos uns 40 minutos depois a Hatice chegou. Fomos para a Star Books, falamos sobre a vida e nossos projetos futuros. Nenhuma de das duas fala inglês muito bem, mas como nos tornamos amigas conseguimos nos entender e até dar boas risadas quando não nos entendemos.
Depois que a Hatice voltou, resolvi passear um pouco pela Oxford Street. A rua é tipo uma Oscar Freire e tem muuuuuitas lojas bacanas. Entrei na Guess, onde um DJ animava os clientes, na Diesel e na Ellus. Ainda bem que olhar não custa nada.
Quando estava olhando uma das últimas vitrines ouvi alguém chamando meu nome com um sotaque gringo. Era a Deren, uma menina da Bélgica que conheci na fila para o registro na Polícia. Foi muita coincidência nos reencontrarmos. Agora que trocamos e-mail e telefone é capaz de não conseguirmos mais nos encontrar. Essa cidade é cheia de surpresas.
Antes de ir para Piccadilly fui conhecer a casa onde vive a Rose, que é filha da Sra. Pâmela e está alugando um quarto. Não é muito longe do metrô, o quarto tem um tamanho bom, mas ela quer 100 libras por semana e a visão da cozinha é um cemitério. Nada contra cemitérios, mas não fiquei muito animada com a ideia, nem com o preço. O jeito será seguir com minha busca. Amanhã vou ver mais dois quartos.
Peguei o metrô e assim que cheguei ao centro a Hatice mandou mensagem avisando que estava no bus porque o trânsito estava muito parado. Fui dar uma espiada na liquidação da GAP. Ainda bem que estava sem meu cartão de crédito. Mais ou menos uns 40 minutos depois a Hatice chegou. Fomos para a Star Books, falamos sobre a vida e nossos projetos futuros. Nenhuma de das duas fala inglês muito bem, mas como nos tornamos amigas conseguimos nos entender e até dar boas risadas quando não nos entendemos.
Depois que a Hatice voltou, resolvi passear um pouco pela Oxford Street. A rua é tipo uma Oscar Freire e tem muuuuuitas lojas bacanas. Entrei na Guess, onde um DJ animava os clientes, na Diesel e na Ellus. Ainda bem que olhar não custa nada.
Quando estava olhando uma das últimas vitrines ouvi alguém chamando meu nome com um sotaque gringo. Era a Deren, uma menina da Bélgica que conheci na fila para o registro na Polícia. Foi muita coincidência nos reencontrarmos. Agora que trocamos e-mail e telefone é capaz de não conseguirmos mais nos encontrar. Essa cidade é cheia de surpresas.
Pretinho básico
domingo, 25 de outubro de 2009
Twelfth day
Sabe aqueles personagens de desenho animado, bem caricatos? Então imagine uma mulher com dentes enormes, tortos e amarelados, e unhas de tamanhos e formatos diferentes. Assim é Nicole, uma inglesa que aparenta ter cerca de 50 anos e trabalha numa das agências do banco Lloyds. Nunca vi nada igual. Pelo que observei ela abandonou cortador de unhas, alicate e lixa há décadas e as unhas, com vida e vontade próprias, seguiram cada qual seu o caminho. Uma mais para a direita, outra mais para esquerda, algumas para cima e outras para baixo. As mais frágeis se quebraram e nem por isso são menos assustadoras.
Porém, pude comprovar que as aparências muitas vezes enganam. Por trás daquelas unhas e dentes digamos assim ‘peculiares’ existe uma mulher atenciosa e paciente que ficou quase uma hora me explicando as vantagens e desvantagens de cada tipo de conta/cartão. Eu queria o mais simples e mais barato, mas foi difícil explicar. No final deu tudo certo e eu finalmente sou titular de uma conta bancária em Londres, que segundo meus colegas e amigos será exigida assim que eu começar a trabalhar aqui.
Eu quase pedi para fazer uma foto, ou melhor, um close das unhas da Nicole. Mas ela foi tão gentil comigo que me deixou sem graça. Eu me despedi com um sonoro: "Thank you, thank you very much darling!" E ela me deu até dois beijinhos no rosto. Medo! rs
Porém, pude comprovar que as aparências muitas vezes enganam. Por trás daquelas unhas e dentes digamos assim ‘peculiares’ existe uma mulher atenciosa e paciente que ficou quase uma hora me explicando as vantagens e desvantagens de cada tipo de conta/cartão. Eu queria o mais simples e mais barato, mas foi difícil explicar. No final deu tudo certo e eu finalmente sou titular de uma conta bancária em Londres, que segundo meus colegas e amigos será exigida assim que eu começar a trabalhar aqui.
Eu quase pedi para fazer uma foto, ou melhor, um close das unhas da Nicole. Mas ela foi tão gentil comigo que me deixou sem graça. Eu me despedi com um sonoro: "Thank you, thank you very much darling!" E ela me deu até dois beijinhos no rosto. Medo! rs
Fachada do prédio Waterloo Palace, onde funciona
a agência que abri a conta
A entrada do banco. Portas automáticas e sem detector de metais.
sábado, 24 de outubro de 2009
Eleventh day
Hoje (1 de outubro) é o dia do aniversário da minha mãe. Tive vontade de ligar para ela na hora que acordei, mas ainda era madrugada no Brasil. Minha mãe é uma mulher de personalidade forte, batalhadora e decidida. Além disso, ela é bonita e vaidosa. Meu pai morre de ciúmes dela e eles parecem um casal de namorados quando saem para dançar, mesmo depois de 37 anos de casamento.
Minha mãe não teve as mesmas oportunidades, nem fez as mesmas escolhas que eu. Queria muito estudar e ser professora, mas a “nona” não deixou. Ela precisava ajudar a família grande (oito irmãos) de agricultores. Desde pequena trabalhou pesado na lavoura, casou cedo, teve dois filhos, já tem uma neta e é totalmente dedicada à família. Ela apóia minhas escolhas, mas sei que preferia que eu já estivesse casada e com filhos também.
Sei o quanto ela se preocupa comigo e que se pudesse me manteria pertinho dela o tempo todo. O 'problema' é que ela me ensinou a ler e sempre me incentivou a estudar. Eu cresci e os livros despertaram em mim a vontade de conhecer um pouco mais do mundo. Eu saí de casa para fazer faculdade de Jornalismo na ‘cidade grande’ (São Leopoldo) aos 18 anos. Depois de formada fui morar na capital Porto Alegre com meu (ex) namorido, ou seja, escolhi morar junto antes de casar. Um ano depois mudamos para São Paulo e a preocupação só aumentou. No ano passado meu relacionamento de quase oito anos acabou e minha mãe sofreu junto comigo.
Agora estou em Londres sozinha e sinto o quanto ela está preocupada comigo. Eu sei o quanto minha mãe admira minha coragem para encarar a vida de frente e realizar meus projetos e sonhos, mas também sei que ela ainda me vê como aquele bebê frágil, branquinho e ruivinho que ela colocou no mundo. “Mãe fica tranquila. Você está sempre comigo. Essa rosa do Regent's Park é para você! TE AMO!”
Minha mãe não teve as mesmas oportunidades, nem fez as mesmas escolhas que eu. Queria muito estudar e ser professora, mas a “nona” não deixou. Ela precisava ajudar a família grande (oito irmãos) de agricultores. Desde pequena trabalhou pesado na lavoura, casou cedo, teve dois filhos, já tem uma neta e é totalmente dedicada à família. Ela apóia minhas escolhas, mas sei que preferia que eu já estivesse casada e com filhos também.
Sei o quanto ela se preocupa comigo e que se pudesse me manteria pertinho dela o tempo todo. O 'problema' é que ela me ensinou a ler e sempre me incentivou a estudar. Eu cresci e os livros despertaram em mim a vontade de conhecer um pouco mais do mundo. Eu saí de casa para fazer faculdade de Jornalismo na ‘cidade grande’ (São Leopoldo) aos 18 anos. Depois de formada fui morar na capital Porto Alegre com meu (ex) namorido, ou seja, escolhi morar junto antes de casar. Um ano depois mudamos para São Paulo e a preocupação só aumentou. No ano passado meu relacionamento de quase oito anos acabou e minha mãe sofreu junto comigo.
Agora estou em Londres sozinha e sinto o quanto ela está preocupada comigo. Eu sei o quanto minha mãe admira minha coragem para encarar a vida de frente e realizar meus projetos e sonhos, mas também sei que ela ainda me vê como aquele bebê frágil, branquinho e ruivinho que ela colocou no mundo. “Mãe fica tranquila. Você está sempre comigo. Essa rosa do Regent's Park é para você! TE AMO!”
Tenth day
Olhei pela janela e fui recebida por um lindo dia de sol. Não dei ouvidos para a preguiça, que insistia em me manter na cama, pois teria um longo dia pela frente. Burocracia é burocracia em qualquer lugar no mundo. Já preenchi um monte de formulários desde que cheguei aqui. O primeiro para fazer o registro na polícia, o segundo para solicitar o Oyster de estudante, cartão que garante desconto no transporte, e um terceiro para abrir conta no banco.
Uma dica para quem vier para Londres. Tente resolver essa parte burocrática na primeira semana, se possível no segundo ou terceiro dia, porque eles demoram muito para fazer as cartas.
Hoje fui encontrar com a Carol - amiga da Lú, que é uma amiga de Porto Alegre. Ela trabalha numa agência de empregos e fui lá fazer um contato. Esse primeiro mês vou ficar mais focada em estudar, passear pela cidade e procurar um lugar para morar, mas é bom já ter algumas opções em vista.
Preciso me agilizar com a procura por um novo lugar para morar. A hospedagem em casa de família é muito cara, por isso paguei apenas quatro semanas. Já pesquisei algumas casas na internet, anotei anúncios na escola e comentei com amigos e colegas que estou procurando.
Ainda não sei se vou alugar um quarto sozinha ou dividir, que é a opção mais barata. Acho que já falei da minha amiga turca Hatice, que também é jornalista e está planejando mudar de casa em breve. Ela mora com uma senhora turca, que só falo turco, só ouve música turca e só assiste canais de televisão turcos. Imagina a situação da moça. Volta para casa em Londres e tem e sensação de voltar para a Turquia. rs
Se conseguirmos um lugar para dividir, acho que será muito bacana, pois só nos comunicamos em inglês e linguagem de sinais. rs
Passeio noturno
Chinatown
Teatro próximo do metrô Totthenham Court
Musical em cartaz em outro teatro
Minha amiga Hatice é turca, jornalista, namora um alemão
e fala apenas uma palavra em português: saudade!
e fala apenas uma palavra em português: saudade!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Ninth day
Dia de madrugar novamente. Banho, café, metrô. Cheguei uma hora antes do posto policial abrir e a fila já estava grande. Na minha frente, três japonesas. Eu sei que eu falo pelos cotovelos, mas aquelas três pelo amor de Deus! Elas não calaram a boca nem por um miléssimo de segundo. Eu já não aguentava mais aquela fila que não andava, o sol quente na minha cabeça, muito menos aquelas três japonesas tagarelas. Tive que criar e praticar um mantra para manter a calma e a sanidade mental.
Quase quatro horas depois consegui entrar e me deparei com placas de ‘no mobile’, ‘no pictures’, ‘no smoking’ e ‘no foods’ por todos os lados. Passei pelo detector de metais e abri a mochila para o guarda olhar. Ele olhou, sorriu e disse: Are you from Brasil? E eu, absolutamente incrédula, respondi: Yes! Aí ele soltou o clássico: I like Brasil. I like samba, futebol, carnaval... e não é que o moço era um jamaicano apaixonado pelo Brasil? Acho que algumas coisas só acontecem em Londres mesmo.
Fiquei muito surpresa, porque enquanto todos me perguntam se sou alemã, russa, polonesa... ele acertou de primeira. Eu não tinha falado uma palavra com ele e meu passaporte estava dentro da carteira. Fiquei me perguntando que diabos ele viu na minha mochila? Será que foi meu “pequeno” chaveiro verde de borboleta? Só pode ser. rs
Duas horas depois deixei o posto policial devidamente registrada. Ufa!
Quase quatro horas depois consegui entrar e me deparei com placas de ‘no mobile’, ‘no pictures’, ‘no smoking’ e ‘no foods’ por todos os lados. Passei pelo detector de metais e abri a mochila para o guarda olhar. Ele olhou, sorriu e disse: Are you from Brasil? E eu, absolutamente incrédula, respondi: Yes! Aí ele soltou o clássico: I like Brasil. I like samba, futebol, carnaval... e não é que o moço era um jamaicano apaixonado pelo Brasil? Acho que algumas coisas só acontecem em Londres mesmo.
Fiquei muito surpresa, porque enquanto todos me perguntam se sou alemã, russa, polonesa... ele acertou de primeira. Eu não tinha falado uma palavra com ele e meu passaporte estava dentro da carteira. Fiquei me perguntando que diabos ele viu na minha mochila? Será que foi meu “pequeno” chaveiro verde de borboleta? Só pode ser. rs
Duas horas depois deixei o posto policial devidamente registrada. Ufa!
Eight day
Não tive uma noite muito tranquila de sono e acordei cedinho (6h30), pois precisava fazer meu registro na Polícia de Londres. Conferi no mapa do metrô a rota que precisaria fazer até lá, mas primeiro tive que passar na escola para retirar a carta confirmando que estou frequentando as aulas. De Piccadilly segui para a estação de Borough, onde fazem o registro.
Não acreditei quando vi a fila dobrando a esquina. Fiquei esperando cerca de uma hora até um funcionário falar que estava encerrado o atendimento e deveríamos voltar no dia seguinte. Fiquei puta da vida, mas não tinha o que fazer. Fui direto para a escola e consegui mandar alguns e-mails. Fiquei brava de novo porque é um saco não ter internet em casa.
Ok, ok, ok, voltemos ao lado bom de Londres. Hoje a minha turma recebeu novos alunos e uma nova professora chamada Christy. Ela nasceu em Nova York, mas casou com um inglês e mora em Londres há muitos anos. Gostei dela de cara. A aula foi diferente e divertida. Além disso, ela fala bem mais devagar que a professora irlandesa e explica tudo com calma.
O dia começou meia boca, mas a noite acabou ótima. Conheci um pub/restaurante super charmoso chamado Churchill Arms, em Nothim Hill. O lugar é muito bacana, tem vários objetos pendurados no teto, ambiente aconchegante e comida muito gostosa servida num segundo ambiente. Bebi um pinot grigio, vinho italiano muito popular em Londres - principalmente entre as mulheres, e provei um dos pratos de comida tailandesa.
Na mesa ao lado, um inglês contava para os amigos suas aventuras pelo Brasil, mais especificamente pelas praias e favelas do Rio de Janeiro. Ele estava empolgado e parece ter voltado com uma impressão boa do Brasil.
Antes de voltar para casa fui ao 'toillet' e me deparei com flores por todo o lado e um papel de parede repleto de borboletas. Foi uma visão tão inesperada que mereceu o registro.
Não acreditei quando vi a fila dobrando a esquina. Fiquei esperando cerca de uma hora até um funcionário falar que estava encerrado o atendimento e deveríamos voltar no dia seguinte. Fiquei puta da vida, mas não tinha o que fazer. Fui direto para a escola e consegui mandar alguns e-mails. Fiquei brava de novo porque é um saco não ter internet em casa.
Ok, ok, ok, voltemos ao lado bom de Londres. Hoje a minha turma recebeu novos alunos e uma nova professora chamada Christy. Ela nasceu em Nova York, mas casou com um inglês e mora em Londres há muitos anos. Gostei dela de cara. A aula foi diferente e divertida. Além disso, ela fala bem mais devagar que a professora irlandesa e explica tudo com calma.
O dia começou meia boca, mas a noite acabou ótima. Conheci um pub/restaurante super charmoso chamado Churchill Arms, em Nothim Hill. O lugar é muito bacana, tem vários objetos pendurados no teto, ambiente aconchegante e comida muito gostosa servida num segundo ambiente. Bebi um pinot grigio, vinho italiano muito popular em Londres - principalmente entre as mulheres, e provei um dos pratos de comida tailandesa.
Na mesa ao lado, um inglês contava para os amigos suas aventuras pelo Brasil, mais especificamente pelas praias e favelas do Rio de Janeiro. Ele estava empolgado e parece ter voltado com uma impressão boa do Brasil.
Antes de voltar para casa fui ao 'toillet' e me deparei com flores por todo o lado e um papel de parede repleto de borboletas. Foi uma visão tão inesperada que mereceu o registro.
O pub
A comida
A bebida
A pessoa
E o banheiro
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Seventh day
Domingo preguiçoso. Acordei tarde, tomei café e decidi que ficaria em casa estudando um pouco e, para aproveitar o dia lindo de sol, faria uma boa caminhada por Wimbledon para conhecer melhor o bairro.
A Sra. Pamela finalmente ligou para a prestadora de serviços de TV e Internet. Prometeram mandar um técnico amanhã. Aleluia! O telemarketing da operadora fica na Índia e o processo todo é muito lento. Ela ficou umas duas horas tentando entender e ser entendida pelos atendentes. Pensei que só no Brasil sofrêssemos com a péssima qualidade da prestação de serviços.
O passeio pelo bairro, apesar de solitário, foi muito agradável. Sol quente em contraste com um ventinho gelado de outono. Caminhei sem pressa e sem destino certo. Entrei em livrarias, brechós e várias lojas de rua. Wimbledon é um bairro residencial e não vejo muitos estrangeiros quando ando por aqui. Tenho a impressãso que a grande maioria dos moradores são ingleses mesmo.
Comi um belo sanduíche de frango e salada sentada num banco de madeira, me deliciei com um chocolate suíço, comprei um mapa de Londres que será super útil em minhas andanças pela cidade e um lindo lenço de seda verde.
A Sra. Pamela finalmente ligou para a prestadora de serviços de TV e Internet. Prometeram mandar um técnico amanhã. Aleluia! O telemarketing da operadora fica na Índia e o processo todo é muito lento. Ela ficou umas duas horas tentando entender e ser entendida pelos atendentes. Pensei que só no Brasil sofrêssemos com a péssima qualidade da prestação de serviços.
O passeio pelo bairro, apesar de solitário, foi muito agradável. Sol quente em contraste com um ventinho gelado de outono. Caminhei sem pressa e sem destino certo. Entrei em livrarias, brechós e várias lojas de rua. Wimbledon é um bairro residencial e não vejo muitos estrangeiros quando ando por aqui. Tenho a impressãso que a grande maioria dos moradores são ingleses mesmo.
Comi um belo sanduíche de frango e salada sentada num banco de madeira, me deliciei com um chocolate suíço, comprei um mapa de Londres que será super útil em minhas andanças pela cidade e um lindo lenço de seda verde.
O vendedor indiano, que tem parentes no Brasil, queria me vender uma luva de couro preta, mas eu achei muito cara. Até o frio chegar de verdade eu volto, ou encontro outra luva, em outro lugar. Na volta para casa estudei um pouco e assisti TV. Consegui ver a última parte de um filme e algumas noticias na BBC antes de ficar com sono. Ah, achei alguns comerciais bem diferentes e divertidos. Além disso, assistir os programas ingleses me ajuda a acostumar com o sotaque.
Blues no caminho do metrô
Passeio no shopping
Wimbledon também tem filial do Walk About
Adoro esse carrinho. Lembro do filme "Um bom ano",
com o Russel Crowe e a Marion Cotillard.
Sixth day
Acordei com meu telefone tocando, lá pelas 11h da manhã. Era o Pedro, um dos poucos amigos brasileiros que tenho em Londres, convidando para um passeio. Eu fui apresentada ao Pedro em junho, via msn, pela Morgana. O legal é que ele começou a me dar dicas sobre a cidade enquanto eu ainda estava no Brasil.
Nos encontramos na estação de Embankment, no centro. Descobri que posso pegar o metrô direto da estação de Wimbledon, sem precisar fazer baldeação em Earl’s Court. Dia da turista Geovana conhecer o Buchingham Palace, o Green Park, o St. James Park, o National Theatre e South Bank. É tudo muito mais bonito pessoalmente!
Os parques estavam lotados. Todo mundo aproveitando o dia lindo de sol para passear e fazer piquenique. Eu adoro piquenique. Não tínhamos cesta de vime, nem toalha xadrez, então o jeito foi improvisar. Compramos sanduíches, chocolate e suco, juntamos com as frutas que eu tinha bolsa (aqui eu passo o dia na rua e estou sempre com frutas, água e biscoitos na bolsa), cobrimos a grama úmida com jornal e pronto.
Depois a maratona seguiu e andei pela primeira vez no ônibus de dois andares. É muito legal ver a cidade lá de alto. O problema é que era sábado e todo mundo resolveu sair de casa. O trânsito estava super lento e tivemos que trocar de ônibus dois pontos depois. Descobri que em Londres os ônibus também quebram e que, a exemplo de São Paulo, são bem mais lentos que o metrô. Portanto, o metrô continua sendo meu meio de transporte público preferido.
A parada seguinte foi o National Theatre, onde além de peças de teatro bacanas, sempre rolam shows e eventos gratuitos. Fiquei apaixonada pelo lugar. Uma dupla de músicos indianos fez uma apresentação de cítara e percussão.
Ainda tivemos tempo para uma caminhada na beira do rio Thames e para provar o Pimm’s, um drink refrescante servido com frutas. Dia lindo!
Nos encontramos na estação de Embankment, no centro. Descobri que posso pegar o metrô direto da estação de Wimbledon, sem precisar fazer baldeação em Earl’s Court. Dia da turista Geovana conhecer o Buchingham Palace, o Green Park, o St. James Park, o National Theatre e South Bank. É tudo muito mais bonito pessoalmente!
Os parques estavam lotados. Todo mundo aproveitando o dia lindo de sol para passear e fazer piquenique. Eu adoro piquenique. Não tínhamos cesta de vime, nem toalha xadrez, então o jeito foi improvisar. Compramos sanduíches, chocolate e suco, juntamos com as frutas que eu tinha bolsa (aqui eu passo o dia na rua e estou sempre com frutas, água e biscoitos na bolsa), cobrimos a grama úmida com jornal e pronto.
Depois a maratona seguiu e andei pela primeira vez no ônibus de dois andares. É muito legal ver a cidade lá de alto. O problema é que era sábado e todo mundo resolveu sair de casa. O trânsito estava super lento e tivemos que trocar de ônibus dois pontos depois. Descobri que em Londres os ônibus também quebram e que, a exemplo de São Paulo, são bem mais lentos que o metrô. Portanto, o metrô continua sendo meu meio de transporte público preferido.
A parada seguinte foi o National Theatre, onde além de peças de teatro bacanas, sempre rolam shows e eventos gratuitos. Fiquei apaixonada pelo lugar. Uma dupla de músicos indianos fez uma apresentação de cítara e percussão.
Ainda tivemos tempo para uma caminhada na beira do rio Thames e para provar o Pimm’s, um drink refrescante servido com frutas. Dia lindo!
Palácio de Buchingham
Lago e London Eye ao fundo
St. James Park
National Theatre
Beira do rio Thames em South Bank
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