domingo, 29 de novembro de 2009

Outono em Londres

Eu recomendo. Cheguei em Londres no começo do Outono e o clima estava ótimo. Fiz muitos passeios pelas ruas e pelos parques da cidade em dias lindos e ensolarados. Uma delícia tomar sorvete e fazer piquenique em setembro. Andar pelas ruas e observar tantas folhas caindo, despertou em mim uma sensação boa de renovação. As folhas velhas caem para que as novas folhas possam nascer, certo? Então, que venha o Inverno. Terei tempo suficiente para preparar minhas novas folhas até a Primavera.



Tapete de folhas












Lovely! Fantastic! Amazing!

Os londrinos adoram essas três palavras. Acho que elas perdem apenas para 'Sorry', 'Please' e 'Thank you'! Na segunda semana que eu estava aqui recebi esse vídeo (link abaixo) do meu querido amigo Johnny, que já mochilou muito por aí e também adora Londres. A terra das brumas tem uma certa magia no ar. Aqui tudo acontece num ritmo diferente, sem muita explicação ou sentido. Apenas acontece.

Duvida? Pois bem. Num dia comum, uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu uma mobilização na Trafalgar Square, reunindo mais de 13 mil pessoas. A empresa simplesmente mandou um convite pelo celular: "Esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário". E nada mais foi dito.

Os que foram pensaram que iriam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora marcada, os organizadores distribuíram muitos microfones, muitos mesmo, e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!!! E todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto. Lovely! A banda escolhida só podia ser Beatles. Fantastic!

Acesse, ouça, cante junto e sinta um pouco da energia que alimenta a cosmopolita Londres! Amazing!

http://www.youtube.com/watch?v=orukqxeWmM0

A Casa das Sete Mulheres

Não, não é o título da minissérie da Globo gravada no Rio Grande do Sul. É a definição da casa onde moro em Londres. Na verdade, eram sete até eu chegar. Agora somos oito e haja paciência pra agüentar tanta TPM. rs

Depois de um mês morando aqui pude comprovar que te fato não temos tantos problemas assim com fila no banheiro, que é possível lavar e secar roupa duas vezes por semana e compartilhar geladeira, armário e fogão. Mas, é preciso colocar o nome em tudo. Senão as outras “esquecem” que aquele leite ou iorgurte tem dona. Essa parte eu acho meio chata, confesso.

Todas trabalham e estudam, em horários e lugares diferentes, por isso durante a semana mal nos encontramos pelas áreas comuns da casa. As colombianas são muito animadas e adoram uma festa. Aos finais de semana é comum rolar um jantar ou almoço coletivo e às vezes conseguimos sair todas juntas. Diversão garantida.



Descendo os degraus, da esquerda para a direita: Rosio, Juliana, Catalina, Nathalie, Ana Maria, Mônica e Juanita.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A mudança

O dia da minha mudança não começou como planejado. Saí no sábado e por isso acordei mais tarde do que gostaria. A Sra. Pamela tinha um compromisso e já estava pronta para sair. Tirei algumas fotos com ela e fui arrumar minhas coisas.

Eu gosto de fazer a mala com calma, enrolando as roupas para ficar tudo menos amassado e ter mais espaço. Normalmente funciona. O problema é que como eu já comprei algumas coisinhas a mala não fechava. Eu também já juntei revistas, jornais, cadernos... Aperta daqui, espreme de lá, fechou. Saí arrastando as malas escada abaixo me sentindo um caracol que leva a casa nas costas. Uma mala grande, a mochila, mais minha bolsa e uma sacola onde coloquei os casacos. Juntando tudo ficou bem pesado! Nossa, o trecho que eu normalmente levo 12 minutos acho que levei uns 40.

Teve um momento que eu quase sentei e chorei. A verdade é que fui muito teimosa em querer levar tudo sozinha e de metrô. Achei que seria super tranquilo, afinal de contas era apenas uma mala e uma mochila. Pouca coisa considerando que vou ficar aqui seis meses.. As minhas amigas (Clau, Dé e Cris - queridas!) olharam para a minha bagagem no dia do embarque e perguntaram: Você vai levar só isso?

Detalhe:  Quando fui para o Aeroporto em Sampa a Cris e Dé me levaram e me ajudaram com tudo. Quando cheguei aqui tinha um motorista me esperando e me deixou na porta da casa. Se arrependimento matasse...

Pensei em pegar um táxi, mas estava sem dinheiro suficiente no bolso e o caixa eletrônico mais próximo ficava no metrô. E se chegasse até lá, já seria meio caminho andado. Eu caminhava uma quadra e parava pra descansar.Quando cheguei no metrô um rapaz me ajudou a descer as escadas com a mala, ou melhor, ele desceu a mala para mim.

Na troca de trens uma moça me ajudou e na saída da estação de New Cross Gate, um senhor me ajudou a subir os dois lances de escada. Ainda bem que essas três almas generosas cruzaram o meu caminho no metrô. Minhas costas agradeceram muito. rs

Saí da estação, andei mais duas quadras... Ufa! Cheguei! Fui super bem recebida na casa pela mulherada. Quero só ver como será a convivência com mais sete mulheres. Descansei uns 10 minutos, tomei uma água e antes que a preguiça tomasse conta do corpo organizei minhas coisas no armário e fui com a Mônica e a Natalie, que divide quarto comigo, fazer o registro do novo endereço na polícia. Pelo menos dessa vez foi sem filas e sem stress.

Minha dica é: Se tiver dinheiro, chame um táxi; Se tiver amigos por perto, peça ajuda; Se a única alternativa for encarar metrô/ônibus sozinho, faça mais de uma viagem. rs

O cansaço foi tão grande que não fiz nenhuma foto da mudança.


Essa é a Sra Pamela, dona da casa onde morei
durante minhas primeiras semanas em Londres



Não falei que era uma inglesa simpática?


A sala onde eu assistia TV e estudava



As escadas por onde desci com a mala,
a mochila, a bolsa, os casacos...


terça-feira, 17 de novembro de 2009

A busca

A minha busca por uma nova casa para morar levou duas semanas. Fiz várias pesquisas no site http://www.gumtree.com/ (site muito utilizado por aqui), conversei com colegas, amigos e professores. Ofertas não faltam, mas eu queria uma casa bacana, limpa (a Sra. Pâmela que me perdoe, mas limpeza é fundamental), com preço justo, nas zonas 1 ou 2 para pagar transporte mais barato e não queria morar com brasileiros para ser obrigada a me comunicar em inglês com os demais moradores.

A seleção começou e quando eu gostava da casa e do bairro, não gostava do preço. Quando eu gostava da casa e do preço, não gostava do bairro ou era muito longe. Já tinha me programado para visitar mais 2 casas no dia seguinte quando a Mônica, uma colombiana super querida que estuda comigo na Malvern, me falou que iria liberar um quarto na casa dela. Fui lá conhecer.

Depois da aula, andamos até Charing Cross para pegar o trem que passou pelo Big Ben e pela London Eye. E eu já fui gostando, já fui sentindo uma energia boa. A casa fica super perto da estação New Cross Gate (Zona 2) e de dois pontos de ônibus. De trem, você chega em London Bridge em 6 minutos, onde tem acesso a várias linhas de metrô e trem. A casa é legal, tem quatro quartos grandes (todos double), cozinha e um banheiro, também grande. Elas logo me avisaram que as demais moradoradas têm horários diferentes por isso não tem muito problema com filas na hora do banho. rs

Como eu precisava mudar dali a uma semana já acertei que ficaria com o quarto, ou metade dele para ser mais específica. Eu preferia alugar um single, mas fui vencida pelos altíssimos preços da moradia em Londres. Vou dividir quarto com uma pessoa estranha, mas que está ali com projetos e sonhos bem parecidos com os meus. Sensação boa de voltar aos tempos da faculdade.



Home! Sweet home 2! Casa número 25, porta azul.


Vista da rua e do colégio em frente



Bus station



Sem comentários... rs

Fifteenth day

Depois do lindo domingo de sol, veio uma segunda-feira cinza e chuvosa. Minha intuição me disse para ficar dormindo, mas eu levantei assim que o despertador tocou, tomei banho, café e fui para a agência de catering que meu amigo Pedro indicou.

Cheguei lá e a pessoa (até já deletei o nome da mulher) com quem eu deveria falar não estava na sala. Sem dizer uma palavra além de ‘good morning’, a outra moça que me atendeu me entregou um formulário e apontou para uma sala. Lá fui eu para a sala com mais umas 10 pessoas preencher a tal ficha.

Quando terminei voltei para a sala e encontrei a mulher que, pela descrição do Pedro, era a pessoa certa para eu falar. Uma irlandesa ruiva e com cara de brava. Ela me atendeu enquanto conversava com um homem na mesa ao lado, mal olhou para a minha cara, falou super rápido enquanto organizava alguns papéis sobre a mesa e eu não consegui entender quase nada do que ela falou. Pedi para ela repetir duas vezes a mesma pergunta, fiquei nervosa e continuei sem entender. O problema é que cada vez que ela repetia a pergunta, aumentava o tom de voz e no fim foi super grosseira comigo.

Foi uma experiência bem desagradável e frustrante. Saí de lá arrasada. Lembrei de quando eu tinha 16 anos e fui procurar meu primeiro trabalho e a dona da loja achou que eu não iria aguentar trabalhar oito horas em pé. Pelo menos na época ela falou isso educadamente. Mas, porta na cara é sempre porta na cara, né? Acho que a gente nunca esquece.

Enquanto eu voltava para o metrô, respirei fundo, contei até mil e pensei: "Calma Geovana. Estou aqui há apenas duas semanas. Minha prioridade agora é estudar e felizmente tenho condições para me manter aqui por mais um tempo". (Eu sempre converso comigo mesma. Será que tenho algum problema muito sério? rs)

Na escola durante o intervalo conheci o Fred, amigo de uns amigos que trabalham no bar. Ele é um mecânico que mora em Portugal consertando aviões na Líbia. Na hora liguei para o meu chefe Joel no Brasil e sugeri uma matéria sobre a história do mecânico brasileiro que conserta aviões líbios. Estou de licença da ANBA, mas se pintar alguma pauta que tenha relação entre Brasil e países árabes posso fazer.

Ele achou bacana, fiz a entrevista e minha primeira matéria apurada em Londres foi publicada. Ueba!

Veja a matéria no link abaixo:

http://www.anba.com.br/noticia_tecnologia.kmf?cod=9007277

Banana para a irlandesa mal educada e mal amada!






segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fourteenth day

O domingo de sol foi o dia perfeito para conhecer Camden Town, bairro considerado o berço do punk e mundialmente famoso por seu mercado, lojas, restaurantes e pubs. Aos finais de semana o lugar fica lotado, principalmente de turistas e descolados em geral.

Essa parte de Londres também é o lugar ideal para comprar roupas e acessórios alternativos (punk, gótica, fetiche, vintage). Não tem como ver tudo de uma vez. Tem comida, artesanato, roupas novas e de brechó, acessórios, bijus, sapatos, bolsas, espelhos, incensos e muita música no ar.

De acordo com que andei lendo por aí, o primeiro grande evento de rock que aconteceu em Camden foi em 1966 no Roundhouse, um antigo armazém de locomotivas, em Chalk Farm Roud, onde o Pink Floyd se apresentou. A banda Sex Pistols também nasceu no bairro em 1975. A cantora Amy Winehouse mora em Camden, mas não nos encontramos. Com certeza ela estava 'viajando' por aí. rs

Depois de Camden ainda consegui dar um pulo em Regent's Park. De longe o parque mais bonito que visitei até agora em Londres. Voltarei ao parque em breve para procurar uma árvore especial. Farei isso assim que concluir a leitura de 'Cartas a um jovem poeta', do Rainer Maria Rilke, presente dos meus amados amigos Alessandro e Dawton.



O Canal de Camden



Banca de camisetas na rua


Parte externa do mercado


Parte interna do mercado


Loja de instrumentos musicais


Sebo e brechó com música ao vivo

Regent's Park


Lindo


Tranquilo, florido


E cheio de vida

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Thirteenth day

Sabadão. Acordei bem tarde, tomei meu café sem pressa e mandei uma mensagem para a Hatice. Friozinho, garoa, preguiça de sair de casa... mas as ruas de Londres sempre me chamam. Eu tenho andado tanto por aqui que até desencanei de procurar uma academia. Pelo menos por enquanto não será necessário.

Antes de ir para Piccadilly fui conhecer a casa onde vive a Rose, que é filha da Sra. Pâmela e está alugando um quarto. Não é muito longe do metrô, o quarto tem um tamanho bom, mas ela quer 100 libras por semana e a visão da cozinha é um cemitério. Nada contra cemitérios, mas não fiquei muito animada com a ideia, nem com o preço. O jeito será seguir com minha busca. Amanhã vou ver mais dois quartos.

Peguei o metrô e assim que cheguei ao centro a Hatice mandou mensagem avisando que estava no bus porque o trânsito estava muito parado. Fui dar uma espiada na liquidação da GAP. Ainda bem que estava sem meu cartão de crédito. Mais ou menos uns 40 minutos depois a Hatice chegou. Fomos para a Star Books, falamos sobre a vida e nossos projetos futuros. Nenhuma de das duas fala inglês muito bem, mas como nos tornamos amigas conseguimos nos entender e até dar boas risadas quando não nos entendemos.

Depois que a Hatice voltou, resolvi passear um pouco pela Oxford Street. A rua é tipo uma Oscar Freire e tem muuuuuitas lojas bacanas. Entrei na Guess, onde um DJ animava os clientes, na Diesel e na Ellus. Ainda bem que olhar não custa nada.

Quando estava olhando uma das últimas vitrines ouvi alguém chamando meu nome com um sotaque gringo. Era a Deren, uma menina da Bélgica que conheci na fila para o registro na Polícia. Foi muita coincidência nos reencontrarmos. Agora que trocamos e-mail e telefone é capaz de não conseguirmos mais nos encontrar. Essa cidade é cheia de surpresas.



Pretinho básico